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Faringite Crônica: causas, sintomas persistentes e tratamento pelo otorrinolaringologista

9 de junho de 2026 · 5 min de leitura · por Dr. Lucas Miranda

Faringite Crônica: causas, sintomas persistentes e tratamento pelo otorrinolaringologista

Entenda o que é a faringite crônica, quais são as causas da dor de garganta persistente, como o otorrinolaringologista faz o diagnóstico e quais são as opções de tratamento disponíveis.

A faringite crônica é uma inflamação persistente ou recorrente da faringe — a região da garganta localizada entre a boca e o esôfago — que dura mais de três semanas ou que se repete com frequência ao longo do tempo. Diferente da faringite aguda, que geralmente tem causa infecciosa e resolução rápida, a faringite crônica envolve mecanismos mais complexos e exige uma investigação detalhada pelo otorrinolaringologista.

A sensação de dor ou irritação na garganta que não melhora, o pigarro constante e a sensação de “catarro” na garganta são queixas muito comuns no consultório de otorrinolaringologia e frequentemente representam manifestações de faringite crônica. Identificar a causa é essencial para o sucesso do tratamento.

O que é faringite crônica?

A faringite crônica é uma condição inflamatória da mucosa faríngea que se prolonga no tempo ou que apresenta episódios frequentes de agudização. Diferentemente da faringite aguda (que tem causa infecciosa definida, como bactérias ou vírus, e duração de dias), a faringite crônica envolve mecanismos irritativos, alérgicos, de refluxo ou imunológicos que mantêm a inflamação por semanas, meses ou anos.

Existem diferentes formas clínicas de faringite crônica: a forma simples (com mucosa avermelhada mas sem grandes lesões), a hipertrófica (com formações linfoides na parede posterior da faringe) e a atrófica (com ressecamento e adelgaçamento da mucosa faríngea, mais comum em idosos ou em ambientes muito secos).

Quais são as causas da faringite crônica?

A faringite crônica raramente tem causa única. Na maioria dos casos, há uma combinação de fatores que irritam e inflamam continuamente a mucosa da garganta. As principais causas incluem:

  • Refluxo laringofaríngeo (RLF): é uma das causas mais comuns de faringite crônica. O ácido estomacal e a pepsina que atingem a faringe causam irritação persistente, mesmo na ausência de sintomas digestivos clássicos do refluxo;
  • Rinite alérgica e sinusite crônica: o gotejamento pós-nasal (drip pós-nasal) — secreção que escorre da parte posterior do nariz para a garganta — é uma causa frequente de faringite crônica;
  • Tabagismo e exposição a poluentes: o cigarro é um dos principais agentes causadores de faringite crônica, pois irrita diretamente a mucosa faríngea e compromete o sistema mucociliar de defesa;
  • Consumo excessivo de álcool: irrita e resseca a mucosa da garganta;
  • Respiração bucal crônica: em pessoas com obstrução nasal (por rinite, desvio de septo ou pólipos), a respiração pela boca resseca e irrita a garganta;
  • Abuso vocal: uso excessivo ou inadequado da voz pode gerar inflamação faríngea crônica em profissionais da voz;
  • Imunossupressão: estados de baixa imunidade aumentam o risco de infecções recorrentes na faringe;
  • Alergias alimentares e intolerâncias: em alguns casos, reações alérgicas a alimentos podem se manifestar com irritação faríngea persistente.

Quais são os sintomas da faringite crônica?

Os sintomas da faringite crônica tendem a ser menos intensos do que os da faringite aguda, mas são persistentes e impactam significativamente a qualidade de vida. Os principais sintomas incluem:

  • Irritação ou dor leve na garganta que não desaparece completamente;
  • Sensação de corpo estranho ou “algo preso” na garganta (globus faríngeo);
  • Pigarro frequente e necessidade constante de limpar a garganta;
  • Secreção na garganta (drip pós-nasal);
  • Tosse seca irritativa, especialmente ao deitar;
  • Rouquidão matinal ou ao longo do dia;
  • Dificuldade leve para engolir em casos mais avançados.

Como o otorrinolaringologista diagnostica a faringite crônica?

O diagnóstico da faringite crônica é clínico e baseado em uma anamnese detalhada, seguida de exame físico da faringe e, quando necessário, exames complementares. O otorrinolaringologista avaliará a aparência da mucosa faríngea com auxílio de iluminação direta e poderá solicitar a realização de uma nasofibrolaringoscopia para avaliar estruturas mais profundas da faringe e da laringe.

Exames complementares que podem ser solicitados incluem:

  • pHmetria de 24 horas: para investigar refluxo gastroesofágico e laringofaríngeo;
  • Testes alérgicos: para identificar sensibilizações que podem estar contribuindo com a inflamação;
  • Tomografia computadorizada dos seios da face: para afastar sinusite crônica como causa do gotejamento pós-nasal;
  • Exame bacteriológico da garganta: para descartar infecções recorrentes por Streptococcus ou outras bactérias.

Como é tratada a faringite crônica?

O tratamento da faringite crônica é direcionado para as causas identificadas na avaliação médica. Não existe um tratamento único que funcione para todos os pacientes, e a abordagem pode envolver múltiplas medidas simultâneas. As principais estratégias incluem:

  • Tratamento do refluxo laringofaríngeo: medidas dietéticas, mudanças de hábitos posturais e uso de inibidores de bomba de prótons quando indicados;
  • Tratamento da rinite alérgica e sinusite: lavagem nasal com solução salina, corticoide nasal, anti-histamínicos e, em casos cirúrgicos, cirurgia endoscópica dos seios da face;
  • Cessação do tabagismo: fundamental para a recuperação da mucosa faríngea;
  • Hidratação adequada: essencial para manter a mucosa da garganta lubrificada;
  • Imunoterapia: em casos de alergias identificadas que contribuam para a faringite crônica;
  • Proteção vocal e fonoterapia: para pacientes cuja faringite crônica está associada ao abuso vocal.

Faringite crônica pode ser sinal de algo grave?

Em alguns casos, a dor ou desconforto persistente na garganta pode ser sinal de condições mais sérias, como tumores de faringe, laringe ou esôfago. Por isso, o otorrinolaringologista sempre investiga sinais de alerta que devem motivar avaliação urgente, como perda de peso sem causa aparente, dificuldade progressiva para engolir, sangramento na garganta, dor intensa que irradia para o ouvido ou nódulo palpável no pescoço.

Dor de garganta persistente que não responde ao tratamento convencional em adultos, especialmente fumantes e consumidores de álcool, deve sempre ser avaliada com nasofibrolaringoscopia para excluir lesões malignas.

Quando procurar o otorrinolaringologista por faringite crônica?

Consulte um otorrinolaringologista se você apresentar dor ou irritação na garganta que persista por mais de três semanas sem causa aparente, especialmente se associada a outros sintomas como rouquidão, pigarro excessivo, sensação de corpo estranho na garganta ou dificuldade para engolir. O diagnóstico precoce da faringite crônica e de suas causas é fundamental para o sucesso do tratamento.

A faringite crônica frequentemente coexiste com o refluxo laringofaríngeo, que é uma causa muito comum de sintomas faríngeos persistentes. Em casos com rouquidão associada, a avaliação da disfonia também pode ser necessária para um diagnóstico completo.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial, a faringite crônica é uma das principais queixas atendidas nos consultórios de otorrinolaringologia no Brasil, sendo fundamental a investigação completa das causas para um tratamento eficaz e duradouro.

Sobre o autor

Dr. Lucas Miranda — CRM-SP 207609 · RQE 133.289

Otorrinolaringologista com Residência no Hospital CEMA, Fellowship em Rinologia e aprimoramento em Medicina do Sono. Atende no Itaim Bibi, em São Paulo.

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