
A laringomalácia é a causa mais comum de estridor (ruído respiratório) em bebês e recém-nascidos. Entenda o que provoca esse problema nas estruturas da laringe, como o otorrinolaringologista faz o diagnóstico e quais são as opções de tratamento.
A laringomalácia é a condição congênita de laringe mais comum em bebês e crianças pequenas, responsável por cerca de 75% dos casos de estridor neonatal persistente. Caracteriza-se pelo amolecimento das estruturas supraglóticas da laringe, que colapsam parcialmente durante a inspiração, produzindo aquele característico ruído respiratório agudo. Embora a condição costume resolver-se espontaneamente, alguns casos exigem intervenção cirúrgica avaliada pelo otorrinolaringologista pediátrico.
O que é laringomalácia?
A laringomalácia é uma malformação congênita na qual as estruturas que ficam acima das cordas vocais — especialmente a epiglote, as aritenoides e as pregas ariepiglóticas — são anormalmente frouxas e moles. Durante a inspiração, a pressão negativa gerada pelo esforço respiratório faz com que essas estruturas sejam aspiradas para dentro da laringe, estreitando parcialmente a via aérea e produzindo o estridor. A condição é presente desde o nascimento, embora o estridor tipicamente apareça entre a segunda e a quarta semana de vida, quando o bebê começa a respirar com mais esforço.
Causas da laringomalácia
A causa exata da laringomalácia ainda não é totalmente conhecida. As principais hipóteses incluem imaturidade neuromuscular da laringe (os nervos que controlam as estruturas laríngeas ainda não funcionam de forma coordenada), frouxidão congênita dos tecidos cartilaginosos e ligamentares da laringe, e influência de fatores genéticos. Além disso, há evidências de que o refluxo gastroesofágico pode agravar o quadro, pois o conteúdo ácido irritaria as estruturas laríngeas já fragilizadas, aumentando o edema e a instabilidade.
Sintomas da laringomalácia em bebês
Os principais sinais e sintomas da laringomalácia incluem:
- Estridor inspiratório: ruído agudo durante a inspiração, característico da condição, que piora ao chorar, mamar, agitar-se ou deitar de costas
- Dificuldade para mamar: o bebê pode se cansar com facilidade durante a amamentação, engasgar ou demorar muito para se alimentar
- Retrações intercostais: esforço respiratório visível, com afundamento da pele entre as costelas
- Regurgitação frequente: associada ao refluxo gastroesofágico, que frequentemente coexiste com a laringomalácia
- Cianose: em casos graves, pode ocorrer coloração azulada nos lábios, indicando queda da saturação de oxigênio
A maioria dos bebês com laringomalácia apresenta a forma leve ou moderada e não apresenta comprometimento significativo do crescimento ou da respiração. Apenas 5 a 10% dos casos evoluem para a forma grave, com indicação cirúrgica.
Como o otorrinolaringologista diagnostica a laringomalácia?
O diagnóstico da laringomalácia é clínico e confirmado por nasofibroscopia flexível — um exame em que o médico introduz um endoscópio fino e flexível pelo nariz para visualizar diretamente as estruturas da laringe em tempo real, inclusive durante a respiração do bebê. A nasofibrolaringoscopia é considerada o padrão-ouro para o diagnóstico e permite avaliar a gravidade do colapso laríngeo, identificar malformações associadas e planejar o tratamento.
O otorrinolaringologista também avalia o crescimento e o desenvolvimento do bebê, a qualidade da alimentação e o padrão respiratório. Em casos selecionados, podem ser solicitados exames complementares como laringoscopia direta sob anestesia geral, exame contrastado de esôfago ou broncoscopia para excluir outras causas de estridor.
Tratamento da laringomalácia
A maioria dos bebês com laringomalácia leve não precisa de tratamento específico, e o quadro resolve-se espontaneamente até os 18 a 24 meses de vida, à medida que as estruturas laríngeas amadurecem. O acompanhamento periódico com o otorrinolaringologista é essencial para monitorar a evolução.
Nos casos moderados, o médico pode recomendar medidas de suporte, como o posicionamento correto do bebê (cabeça elevada após as mamadas), tratamento do refluxo gastroesofágico com medicamentos inibidores de bomba de prótons e orientações de amamentação para reduzir o esforço respiratório durante as mamadas.
Nos casos graves — com dificuldade respiratória significativa, falha de crescimento, episódios de apneia ou saturação de oxigênio reduzida — o tratamento cirúrgico está indicado. A supraglotoplastia é a cirurgia de escolha, realizada por via endoscópica, sem necessidade de incisões externas. Nela, o cirurgião remove ou libera o tecido que está obstruindo a entrada da laringe. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, os resultados são excelentes na grande maioria dos casos.
Quando procurar um otorrinolaringologista pediátrico?
Todo bebê com estridor persistente deve ser avaliado pelo otorrinolaringologista o mais precocemente possível. Sinais de alerta que indicam avaliação imediata incluem dificuldade para respirar em repouso, cianose (coloração azulada), recusa alimentar, perda de peso ou engasgos frequentes.
O Dr. Lucas Miranda, otorrinolaringologista em São Paulo, realiza avaliação especializada de bebês e crianças com laringomalácia e outras condições laríngeas, utilizando nasofibroscopia e tecnologia de ponta para garantir o diagnóstico preciso e o tratamento mais adequado para cada caso. Não deixe de buscar orientação médica: identificar e tratar a laringomalácia precocemente faz toda a diferença para a saúde e o desenvolvimento do seu filho.
Dr. Lucas Miranda — CRM-SP 207609 · RQE 133.289
Otorrinolaringologista com Residência no Hospital CEMA, Fellowship em Rinologia e aprimoramento em Medicina do Sono. Atende no Itaim Bibi, em São Paulo.
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