
A otoplastia é a cirurgia que corrige a orelha de abano e outras alterações do formato da orelha, sem interferir na audição. Entenda as indicações, a idade recomendada, como o procedimento é feito e como funciona a recuperação semana a semana.
A otoplastia é a cirurgia que corrige o formato, o tamanho e a posição da orelha — mais conhecida como cirurgia de orelha de abano. É um dos procedimentos mais procurados dentro da otorrinolaringologia e da cirurgia facial, com resultado estável e recuperação relativamente simples.
Apesar de ser um procedimento estético na maior parte dos casos, a otoplastia tem um impacto emocional que não deve ser subestimado, especialmente em crianças e adolescentes que convivem com apelidos e constrangimento. Este guia reúne, em linguagem direta, o que o paciente precisa saber antes de decidir.
Neste artigo:
- O que é a otoplastia
- Quando a cirurgia é indicada
- Idade ideal para operar
- Como a cirurgia é feita
- Recuperação semana a semana
- Cuidados no pós-operatório
- Riscos e complicações
- Resultados e durabilidade
- Perguntas frequentes
O que é a otoplastia
A otoplastia é a cirurgia plástica da orelha. Ela atua sobre a cartilagem auricular e sobre a pele que a recobre, reposicionando a orelha em relação à cabeça e recriando as dobras naturais que não se formaram durante o desenvolvimento.
A queixa mais comum é a orelha proeminente, popularmente chamada de orelha de abano. Ela ocorre por dois motivos principais: a ausência ou a fraqueza da dobra chamada anti-hélice e o excesso de cartilagem na concha auricular, que empurra a orelha para fora. A cirurgia corrige um dos dois problemas ou os dois ao mesmo tempo.
Um ponto que costuma gerar dúvida: a otoplastia trabalha apenas na orelha externa. Ela não mexe no tímpano, nos ossículos nem no ouvido interno e, portanto, não interfere na audição. Alterações auditivas têm outras causas e são investigadas com exames próprios, como a audiometria.
Quando a otoplastia é indicada
- Orelhas proeminentes, afastadas da cabeça, em um ou nos dois lados.
- Ausência da dobra da anti-hélice, que deixa a orelha com aspecto plano e aberto.
- Assimetria evidente entre as duas orelhas.
- Lóbulo da orelha alargado, rasgado ou deformado por uso de alargador e brincos pesados.
- Orelhas muito grandes em relação à face, situação chamada de macrotia.
- Constrangimento social, apelidos e prejuízo à autoestima, sobretudo em idade escolar.
A indicação é individual. Em consulta, avalia-se o ângulo entre a orelha e o crânio, a espessura da cartilagem, a simetria e a expectativa do paciente. Nem toda orelha que parece grande precisa de cirurgia, e nem toda correção exige a mesma técnica.
Idade ideal para fazer a otoplastia
A orelha atinge cerca de 85 a 90 por cento do tamanho adulto por volta dos 6 anos de idade. Por isso, a otoplastia costuma ser liberada a partir dessa faixa, quando a criança já tem estrutura anatômica adequada e maturidade suficiente para colaborar com os cuidados do pós-operatório.
Operar antes do início da vida escolar tem uma vantagem prática: reduz a exposição a apelidos justamente na fase em que a autoimagem está se formando. Ainda assim, não existe idade limite — adultos de qualquer faixa etária podem realizar o procedimento, e a técnica é essencialmente a mesma.
Em recém-nascidos existe uma alternativa não cirúrgica: a moldagem da orelha com dispositivos específicos nas primeiras semanas de vida, quando a cartilagem ainda é maleável. Passada essa janela, a correção definitiva passa a ser cirúrgica.
Como é feita a cirurgia de otoplastia
Avaliação pré-operatória
A consulta inclui exame detalhado das orelhas, medidas dos ângulos auriculares, fotografias padronizadas e alinhamento de expectativas. Exames laboratoriais de rotina são solicitados conforme a idade e o histórico de saúde, e a avaliação segue os mesmos princípios das demais cirurgias otorrinolaringológicas.
Anestesia
Em adultos e adolescentes, a otoplastia costuma ser feita com anestesia local associada a sedação. Em crianças menores, opta-se com frequência pela anestesia geral, que garante imobilidade e conforto durante todo o procedimento.
Técnica cirúrgica
A incisão é feita atrás da orelha, no sulco retroauricular, onde a cicatriz fica escondida. O cirurgião remodela a cartilagem com pontos internos permanentes que criam a dobra da anti-hélice e, quando necessário, remove um fragmento de cartilagem da concha para aproximar a orelha da cabeça. O excesso de pele é retirado e a incisão é fechada com sutura fina.
Duração e internação
O tempo cirúrgico varia de uma a duas horas, dependendo de a correção ser unilateral ou bilateral. Na maioria dos casos a otoplastia é realizada em regime de hospital-dia, com alta no mesmo dia.
Recuperação da otoplastia semana a semana
- Primeiras 48 horas: curativo compressivo em toda a cabeça, dor leve a moderada controlada com analgésicos e sensação de latejamento nas orelhas.
- Primeira semana: troca do curativo pela faixa elástica, retirada de pontos externos quando indicado, inchaço e roxo em regressão.
- Segunda e terceira semanas: retorno às atividades escolares ou de trabalho, uso da faixa principalmente à noite.
- Primeiro mês: liberação gradual de exercícios leves, com atenção para não tracionar a orelha.
- Segundo e terceiro meses: retorno a esportes de contato e natação conforme liberação médica; formato praticamente definitivo.
A faixa elástica é o item que mais gera dúvida. Ela protege a orelha contra dobras acidentais durante o sono e ajuda a controlar o edema. O tempo total de uso costuma variar de três a seis semanas, com esquema definido caso a caso.
Cuidados no pós-operatório
- Dormir de barriga para cima nas primeiras semanas, evitando pressão sobre as orelhas.
- Não coçar, puxar ou dobrar a orelha operada.
- Lavar o cabelo apenas quando liberado, com água morna e sem esfregar a região.
- Evitar sol direto e piscina até liberação.
- Usar a faixa pelo tempo orientado, inclusive nas noites em que parecer desnecessário.
- Comparecer a todos os retornos, mesmo se estiver tudo bem.
A adesão a esses cuidados influencia diretamente o resultado. A maior parte das reoperações em otoplastia está relacionada a trauma precoce na orelha ou ao abandono da faixa antes do tempo.
Riscos e possíveis complicações
Como toda cirurgia, a otoplastia tem riscos, ainda que sejam pouco frequentes quando realizada por profissional habilitado e com técnica adequada.
- Hematoma, que exige drenagem precoce para não deformar a cartilagem.
- Infecção da ferida operatória, tratada com antibiótico e acompanhamento próximo.
- Assimetria residual entre as orelhas, geralmente discreta.
- Cicatriz hipertrófica ou queloide, mais comum em pessoas com predisposição.
- Recidiva parcial da projeção da orelha, quando os pontos internos cedem.
- Alteração transitória da sensibilidade da pele da orelha.
Orientações gerais sobre segurança em procedimentos cirúrgicos e direitos do paciente estão disponíveis no portal do Ministério da Saúde. Escolher um serviço estruturado e um cirurgião com experiência específica em orelha reduz de forma significativa a chance de complicações.
Resultados e durabilidade
O resultado começa a aparecer assim que o curativo sai, mas o formato final se consolida entre o segundo e o terceiro mês, quando o inchaço desaparece por completo. Os pontos internos são permanentes, o que torna o resultado da otoplastia duradouro ao longo da vida.
O objetivo não é criar orelhas idênticas, e sim orelhas harmônicas com a face. Pequenas diferenças entre os dois lados existem em praticamente todas as pessoas e passam despercebidas quando a projeção está corrigida.
Perguntas frequentes sobre otoplastia
A otoplastia deixa cicatriz visível?
A incisão fica no sulco atrás da orelha e, com a cicatrização, torna-se discreta e escondida pelo próprio contorno auricular. Em técnicas específicas, pequenas incisões anteriores podem ser necessárias, mas são posicionadas em dobras naturais.
A cirurgia é dolorida?
A dor costuma ser leve e bem controlada com analgésicos comuns nos primeiros dias. O desconforto mais relatado é a sensação de pressão do curativo, e não a dor da ferida em si.
A otoplastia afeta a audição?
Não. O procedimento atua apenas na orelha externa e não altera as estruturas responsáveis pela condução e pela percepção do som. Queixas auditivas devem ser investigadas separadamente, como nos quadros de perda auditiva em adultos.
Quando posso voltar a treinar?
Atividades leves costumam ser liberadas após duas a quatro semanas. Esportes de contato, luta e natação exigem espera maior, em geral de dois a três meses, pelo risco de trauma direto na orelha.
Dá para operar só uma orelha?
Sim, quando apenas um lado é proeminente. Nesses casos o planejamento é ainda mais minucioso, porque a orelha oposta serve de referência para a simetria final.
A otoplastia pode ser combinada com outra cirurgia?
Pode. Em adultos, é comum associá-la a procedimentos faciais realizados no mesmo tempo cirúrgico, como a rinoplastia funcional, desde que a condição clínica permita.
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Dr. Lucas Miranda — CRM-SP 207609 · RQE 133.289
Otorrinolaringologista com Residência no Hospital CEMA, Fellowship em Rinologia e aprimoramento em Medicina do Sono. Atende no Itaim Bibi, em São Paulo.
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