
O cálculo salivar é a pedra que obstrui o ducto de uma glândula salivar e provoca inchaço e dor no rosto, principalmente na hora das refeições. Veja os 6 sinais mais característicos, como é feito o diagnóstico e quais tratamentos preservam a glândula.
O cálculo salivar é a formação de uma pedra dentro do ducto de uma glândula salivar, bloqueando a saída da saliva. O quadro tem uma assinatura clínica bastante típica: o rosto incha na hora de comer, dói, e depois de algum tempo tudo volta ao normal — até a próxima refeição.
Também chamado de sialolitíase, o problema é a causa mais comum de obstrução das glândulas salivares e responde por boa parte dos casos de inchaço recorrente na face e sob o queixo. É uma condição benigna, tratável e que, quando abordada cedo, permite preservar a glândula.
Neste artigo:
- O que é o cálculo salivar
- Quais glândulas são afetadas
- 6 sinais característicos
- Causas e fatores de risco
- Como é feito o diagnóstico
- Tratamento
- Complicações do tratamento tardio
- Como prevenir novos episódios
- Perguntas frequentes
O que é o cálculo salivar
O cálculo salivar é um depósito endurecido, formado principalmente por sais de cálcio, que se organiza dentro do ducto por onde a saliva sai da glândula em direção à boca. O tamanho varia de menos de um milímetro a mais de um centímetro.
Quando a pedra bloqueia a passagem, a saliva produzida durante a refeição não consegue escoar. A glândula se distende, incha e dói. Cessado o estímulo, a saliva reflui lentamente e o inchaço desaparece. Esse padrão de repetição é a marca registrada do quadro.
Quais glândulas são afetadas
- Submandibular: localizada abaixo da mandíbula, responde por cerca de 80 a 90 por cento dos casos, porque sua saliva é mais espessa e o ducto sobe contra a gravidade.
- Parótida: situada à frente da orelha, corresponde à maior parte dos casos restantes.
- Sublingual e glândulas menores: raramente envolvidas.
A localização explica o sintoma. No acometimento submandibular o inchaço aparece sob o queixo e no pescoço; na parótida, à frente e abaixo da orelha, com deformidade visível do contorno da face.
6 sinais característicos do cálculo salivar
- Inchaço que surge ou piora ao comer, principalmente com alimentos ácidos e temperados.
- Dor em cólica na região da glândula, que aumenta durante a refeição.
- Inchaço que reduz sozinho ao longo de minutos ou horas após a refeição.
- Sensação de caroço endurecido sob a língua ou no assoalho da boca.
- Gosto ruim, saliva com aspecto turvo ou secreção purulenta saindo pelo ducto.
- Boca seca e episódios repetidos sempre do mesmo lado.
Quando há infecção associada, o quadro muda: o inchaço deixa de regredir, a pele fica avermelhada e quente, surgem febre e dor contínua. Essa é uma situação que exige atendimento rápido.
Causas e fatores de risco
- Desidratação, que torna a saliva mais concentrada e espessa.
- Redução do fluxo salivar por medicamentos como anti-hipertensivos, antidepressivos, diuréticos e anti-histamínicos.
- Tabagismo e má higiene bucal.
- Doenças que reduzem a produção de saliva, como a síndrome de Sjogren.
- Traumas e inflamações prévias do ducto salivar.
- Alterações no metabolismo do cálcio, em uma parcela menor dos casos.
Vale um esclarecimento comum no consultório: o cálculo salivar não tem relação com pedra nos rins nem com o consumo de leite e derivados. São processos diferentes, com mecanismos independentes.
Como é feito o diagnóstico
A história clínica de inchaço ligado às refeições já levanta a suspeita. O exame físico inclui palpação bimanual do assoalho da boca e da região da glândula, procurando a pedra e observando a saída de saliva pelo ducto.
- Ultrassonografia das glândulas salivares, exame inicial de escolha, sem radiação.
- Tomografia computadorizada, útil para cálculos pequenos e para planejamento cirúrgico.
- Sialoendoscopia, que visualiza o interior do ducto e pode tratar no mesmo tempo.
- Ressonância magnética, reservada a casos selecionados.
A avaliação também serve para diferenciar o cálculo salivar de outras causas de aumento das glândulas, como infecções virais, cistos e tumores. Nódulos que não regridem exigem investigação específica, tema abordado no artigo sobre câncer de cabeça e pescoço.
Tratamento do cálculo salivar
Medidas conservadoras
Cálculos pequenos e próximos à saída do ducto podem ser eliminados espontaneamente. O tratamento inicial inclui hidratação abundante, calor local, massagem da glândula no sentido do ducto e uso de estimulantes salivares, como sucos cítricos e balas azedas sem açúcar.
Antibióticos e anti-inflamatórios
Indicados quando existe infecção da glândula, chamada sialoadenite. Controlam o processo agudo, mas não dissolvem a pedra: a causa da obstrução precisa ser tratada depois que a inflamação cede.
Sialoendoscopia
É a técnica moderna de referência. Um endoscópio muito fino é introduzido pelo próprio ducto, permitindo localizar o cálculo salivar e removê-lo com cestas ou fragmentá-lo com laser. O grande ganho é preservar a glândula e evitar cicatriz externa.
Remoção por via intraoral
Cálculos palpáveis no assoalho da boca podem ser retirados por uma pequena incisão interna, com anestesia local e recuperação rápida.
Retirada da glândula
Reservada para casos com cálculos grandes, múltiplos, inacessíveis ou com glândula já cronicamente danificada por infecções repetidas. É uma das cirurgias otorrinolaringológicas realizadas em ambiente hospitalar, hoje indicada com muito menos frequência do que no passado.
Complicações do tratamento tardio
- Infecções repetidas da glândula, com dor e febre.
- Formação de abscesso, que exige drenagem.
- Perda progressiva da função glandular por fibrose.
- Redução do fluxo salivar, com boca seca e maior risco de cáries.
- Piora da halitose e desconforto para mastigar.
Quanto mais cedo o cálculo salivar é tratado, maior a chance de preservar a glândula e sua função. Adiar a avaliação é o principal fator que leva à necessidade de cirurgias maiores.
Como prevenir novos episódios
- Beber água ao longo de todo o dia, especialmente em climas quentes.
- Manter higiene bucal rigorosa, com escovação e uso de fio dental.
- Revisar com o médico medicamentos que reduzem a salivação.
- Estimular o fluxo salivar com goma de mascar sem açúcar.
- Não fumar.
- Procurar avaliação ao primeiro episódio de inchaço ligado à refeição.
Orientações gerais de saúde bucal e prevenção estão disponíveis no portal do Ministério da Saúde. Hábitos simples reduzem de forma consistente a recorrência.
Perguntas frequentes sobre cálculo salivar
Cálculo salivar some sozinho?
Pedras pequenas e bem posicionadas podem ser expelidas com hidratação, massagem e estímulo salivar. Cálculos maiores ou impactados dificilmente saem sem intervenção.
Dói muito?
A dor é do tipo cólica, aparece nas refeições e varia de leve a intensa. Fora dos episódios de obstrução, muitos pacientes ficam completamente assintomáticos.
Qual médico trata?
O otorrinolaringologista é o especialista responsável pelas glândulas salivares, do diagnóstico ao tratamento cirúrgico quando necessário.
Cálculo salivar pode virar câncer?
Não. É uma condição benigna e não se transforma em tumor. A avaliação médica é importante justamente para confirmar que o aumento da glândula tem essa origem e não outra.
A cirurgia deixa cicatriz no rosto?
Nas técnicas atuais, como a sialoendoscopia e a via intraoral, não há cicatriz externa. Ela só existe quando é necessária a retirada da glândula por incisão cervical.
Inchaço no rosto ao comer? Agende sua avaliação em São Paulo
Inchaço que aparece nas refeições e some depois quase sempre tem explicação, e cálculo salivar é a mais frequente. O Dr. Lucas Miranda, otorrinolaringologista em São Paulo, avalia as glândulas salivares, define o exame necessário e indica o tratamento que preserva a função da glândula. Agende sua consulta.
Dr. Lucas Miranda — CRM-SP 207609 · RQE 133.289
Otorrinolaringologista com Residência no Hospital CEMA, Fellowship em Rinologia e aprimoramento em Medicina do Sono. Atende em São Paulo (Itaim Bibi) e em Olímpia/SP.
Outros artigos

Globus Faríngeo: 6 causas da sensação de bola na garganta
O globus faríngeo é a sensação persistente de bola ou nó na garganta, sem dificuldade real para engolir. Conheça as 6 causas mais comuns, os sinais qu…
Ler artigo
Otoplastia: 8 respostas sobre a cirurgia de orelha de abano
A otoplastia é a cirurgia que corrige a orelha de abano e outras alterações do formato da orelha, sem interferir na audição. Entenda as indicações, a …
Ler artigo
Rinite Medicamentosa: 7 sinais de dependência do spray nasal
A rinite medicamentosa é o entupimento nasal causado pelo uso prolongado de descongestionante em spray, quando o próprio remédio passa a ser a causa d…
Ler artigoTem esse sintoma? Não adie a avaliação.
A intervenção precoce evita anos de má qualidade de sono e respiração ineficaz. Agende sua consulta com o Dr. Lucas Miranda.