
A disfagia é a dificuldade de engolir alimentos sólidos ou líquidos, podendo ser sinal de diversas condições que afetam a garganta, laringe ou esôfago. Saiba quais são as causas mais comuns, os sintomas de alerta e como o otorrinolaringologista avalia e trata esse problema.
A disfagia — do grego, “dificuldade de engolir” — é um sintoma que pode indicar uma ampla variedade de condições, desde problemas benignos e tratáveis, como inflamações da garganta, até condições mais graves, como tumores de laringe ou esôfago. O otorrinolaringologista é o especialista responsável por investigar as causas de a dificuldade de engolir orofaríngea, aquela que ocorre na fase inicial da deglutição, envolvendo a boca, a faringe e a laringe.
O que é disfagia?
A disfagia é definida como qualquer dificuldade no processo de deglutição — o conjunto de movimentos coordenados que permite transportar o alimento da boca até o estômago. A deglutição envolve três fases: a fase oral (mastigação e formação do bolo alimentar), a fase faríngea (transporte pela garganta) e a fase esofágica (passagem pelo esôfago). A a condição pode ocorrer em qualquer uma dessas fases. A a condição orofaríngea, que afeta a boca e a garganta, é a principal área de atuação do otorrinolaringologista.
Principais causas de disfagia
As causas dessa condição são variadas e incluem:
- Refluxo laringofaríngeo: o ácido gástrico que sobe até a garganta pode causar inflamação e sensação de “bola na garganta”
- Amigdalite e faringite: inflamações agudas que dificultam temporariamente a deglutição
- Tumores benignos ou malignos: lesões na garganta, laringe ou hipofaringe podem obstruir a passagem dos alimentos
- Paralisia ou paresia do véu palatino: sequela de infecções ou lesões neurológicas
- Doenças neurológicas: acidente vascular cerebral (AVC), Parkinson, esclerose lateral amiotrófica (ELA) e outras condições que afetam o controle neuromuscular da deglutição
- Bócio ou compressão extrínseca: estruturas aumentadas no pescoço que pressionam a faringe ou o esôfago
- Disfunção do esfíncter esofágico superior: o músculo cricofaríngeo que abre a entrada do esôfago pode não funcionar adequadamente
Sintomas e sinais de alerta da disfagia
Esse problema pode se manifestar de diferentes formas:
- Sensação de que o alimento “fica parado” na garganta ou no peito
- Tosse ou engasgos frequentes ao comer ou beber
- Regurgitação de alimentos sem digestão
- Dor ao engolir (odinofagia)
- Salivação excessiva ou dificuldade de controlar a saliva
- Voz alterada após comer (voz “molhada” ou rouca)
- Perda de peso não intencional por dificuldade de se alimentar
- Aspiração de alimentos para a traqueia (com risco de pneumonia)
Diagnóstico da disfagia pelo otorrinolaringologista
O diagnóstico da disfagia começa com uma anamnese detalhada: o médico pergunta sobre o tipo de alimento que causa maior dificuldade (sólidos, líquidos ou ambos), a duração dos sintomas, a presença de dor ou perda de peso e o histórico médico do paciente. Em seguida, realiza o exame físico da cavidade oral, garganta e pescoço. A nasofibrolaringoscopia é fundamental para visualizar as estruturas da garganta e da laringe e identificar lesões, inflamações ou alterações funcionais.
Exames complementares podem incluir videofluoroscopia da deglutição, videoendoscopia da deglutição com fibra óptica (FEES), tomografia computadorizada do pescoço e mediastino, e esofagogastroduodenoscopia, dependendo da hipótese diagnóstica. Conforme recomendações da ABORL-CCF (Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial), a avaliação multidisciplinar com fonoaudiólogo é frequentemente indicada nos casos de disfagia neurogênica.
Tratamento e abordagem terapêutica
O tratamento da disfagia depende da causa identificada. Nos casos de inflamação ou refluxo, medicamentos específicos e modificações na dieta costumam ser suficientes. Nas disfagias neurológicas, a reabilitação com fonoaudiólogo é fundamental para treinar e compensar os movimentos de deglutição. Quando há lesão estrutural como tumor, pólipos ou estenose, a cirurgia pode ser necessária. Em casos graves com risco de aspiração, pode ser indicado o uso temporário de sonda de alimentação.
Quando consultar o otorrinolaringologista?
Qualquer dificuldade persistente para engolir deve ser avaliada pelo médico. Procure o otorrinolaringologista imediatamente se a disfagia for acompanhada de dor intensa, perda de peso rápida, rouquidão persistente, engasgos frequentes com risco de aspiração ou sensação de globo faríngeo que piora progressivamente.
O Dr. Lucas Miranda, otorrinolaringologista em São Paulo, realiza avaliação completa da disfagia com nasofibrolaringoscopia, identificando a causa e orientando o tratamento mais adequado para cada paciente. Não ignore a dificuldade de engolir — o diagnóstico precoce pode evitar complicações graves e garantir sua qualidade de vida.
Dr. Lucas Miranda — CRM-SP 207609 · RQE 133.289
Otorrinolaringologista com Residência no Hospital CEMA, Fellowship em Rinologia e aprimoramento em Medicina do Sono. Atende no Itaim Bibi, em São Paulo.
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