
A disfonia (rouquidão) pode ser sinal de alterações nas pregas vocais. Saiba as causas, quando consultar o otorrinolaringologista e quais tratamentos estão disponíveis.
A disfonia, popularmente conhecida como rouquidão, é qualquer alteração da qualidade, do volume ou do timbre da voz que a torna diferente do padrão habitual do indivíduo. Embora muitas pessoas associem a rouquidão apenas a resfriados ou uso excessivo da voz, a disfonia pode ser o primeiro sinal de condições mais sérias que envolvem as pregas vocais (cordas vocais) e que requerem avaliação especializada pelo otorrinolaringologista.
O que são as pregas vocais e como funcionam?
As pregas vocais são duas dobras de tecido muscular mucoso localizadas na laringe, o órgão responsável pela produção da voz. Durante a fala e o canto, o ar expelido pelos pulmões faz as pregas vocais vibrarem, gerando o som. Qualquer alteração estrutural ou funcional nessas estruturas — inflamação, nódulos, pólipos ou paralisia — pode modificar a qualidade vocal e causar disfonia. Por isso, a avaliação detalhada da laringe é fundamental para o diagnóstico correto.
Causas da disfonia
A disfonia pode ter diversas causas, sendo as mais comuns a laringite viral aguda (associada a resfriados e infecções respiratórias), o abuso e mau uso da voz (falar alto, gritar, cantar sem técnica), o refluxo gastroesofágico que irrita a laringe, e a inalação de substâncias irritantes como fumaça de cigarro. Causas mais graves incluem nódulos vocais, pólipos das pregas vocais, papilomatose laríngea, paralisia das pregas vocais e, em casos mais raros, câncer de laringe.
Profissionais que usam a voz como principal ferramenta de trabalho — professores, cantores, advogados, atores, telefonistas — estão mais expostos ao desenvolvimento de lesões vocais benignas. Nesses casos, além do tratamento médico, a reabilitação com fonoaudiólogo especializado em voz é parte fundamental do processo terapêutico.
Sintomas que acompanham a disfonia
Além da alteração vocal, a disfonia pode vir acompanhada de outros sintomas, como sensação de “bola” ou corpo estranho na garganta, cansaço vocal ao longo do dia, dor ou desconforto ao falar, pigarro frequente, tosse seca e dificuldade para alcançar certos tons ou volumes. Em casos de disfonia associada a sinusite crônica ou refluxo, pode haver secreção pós-nasal e irritação persistente da garganta.
Como o otorrinolaringologista avalia a disfonia?
O diagnóstico da disfonia envolve uma anamnese detalhada sobre o histórico vocal do paciente e um exame endoscópico da laringe chamado laringoscopia. Com esse exame, o otorrinolaringologista visualiza diretamente as pregas vocais, avalia sua mobilidade, coloração e a presença de lesões. Em alguns casos, é indicada a estroboscopia laríngea, exame que utiliza luz estroboscópica para avaliar com mais precisão a vibração das pregas vocais durante a produção sonora.
Segundo a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial, qualquer rouquidão que persista por mais de 2 a 3 semanas deve ser investigada por um especialista, pois pode indicar condições que requerem tratamento específico.
Tratamento da disfonia
O tratamento depende da causa identificada. Disfonias associadas a laringites virais ou abuso vocal se resolvem com repouso vocal, hidratação e tratamento da condição subjacente. Nódulos e pólipos vocais podem ser tratados com fonoterapia em casos iniciais, ou com cirurgia microfônica da laringe (microcirurgia de laringe) quando há indicação. Pólipos e papilomas costumam requerer remoção cirúrgica. A paralisia de prega vocal pode ser tratada com injeções de preenchimento ou procedimentos cirúrgicos de medialização, dependendo da causa e da extensão da paralisia.
Para pacientes com rinite alérgica ou refluxo laringo-faríngeo, o controle dessas condições é fundamental para a melhora da disfonia. Em cantores e profissionais de voz, um programa completo de higiene vocal e reabilitação fonoaudiológica é altamente recomendado para prevenir recidivas.
Quando consultar o otorrinolaringologista para disfonia?
Procure o otorrinolaringologista se a rouquidão persistir por mais de duas semanas sem melhora, se vier acompanhada de dor ao engolir, dificuldade respiratória, sensação de corpo estranho na garganta ou se você for um profissional de voz com comprometimento do desempenho vocal. A avaliação precoce é essencial para um diagnóstico preciso e para preservar a saúde das pregas vocais.
O Dr. Lucas Miranda, otorrinolaringologista em São Paulo, realiza laringoscopia e avaliação completa da laringe e das pregas vocais. Agende uma consulta para diagnóstico preciso e tratamento personalizado da sua disfonia.
Dr. Lucas Miranda — CRM-SP 207609 · RQE 133.289
Otorrinolaringologista com Residência no Hospital CEMA, Fellowship em Rinologia e aprimoramento em Medicina do Sono. Atende no Itaim Bibi, em São Paulo.
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