
A otosclerose é uma doença progressiva do ouvido médio que causa perda auditiva gradual por fixação do estribo. Saiba como o otorrinolaringologista diagnostica e trata essa condição com cirurgia ou aparelho auditivo.
A otosclerose é uma doença progressiva do ouvido médio e interno, caracterizada pelo crescimento anormal de osso na cápsula ótica — estrutura que envolve o labirinto. Esse crescimento desordenado compromete a mobilidade do estribo, um dos três ossículos da cadeia ossicular, impedindo a correta transmissão das vibrações sonoras. O resultado direto é a perda auditiva progressiva, geralmente bilateral, que costuma se manifestar entre a segunda e a quarta décadas de vida.
Apesar do nome sugerir apenas enrijecimento ósseo, a otosclerose também pode afetar o labirinto membranoso e a cóclea, causando perda auditiva do tipo sensorioneural, além da condutiva mais comum. Estudos internacionais estimam que a doença acomete cerca de 1% das pessoas de origem europeia, sendo menos frequente em negros e asiáticos.
Causas e fatores de risco da otosclerose
A causa exata da otosclerose ainda não é completamente compreendida, mas fatores genéticos e ambientais têm papel importante no desenvolvimento da doença.
Fatores genéticos
A otosclerose possui padrão de herança autossômico dominante com penetrância variável, o que significa que um filho de pessoa afetada tem cerca de 25% de chance de desenvolver a doença clinicamente. Mutações em genes relacionados à remodelação óssea foram identificadas em algumas famílias com histórico da doença.
Fatores hormonais e ambientais
A gravidez pode acelerar a progressão da otosclerose, sugerindo influência hormonal. O vírus do sarampo também tem sido associado à doença, e a vacinação contra o sarampo foi relacionada à redução na incidência de otosclerose em países com programas de imunização eficazes.
Sintomas da otosclerose
Os sintomas da otosclerose tendem a aparecer de forma insidiosa e progredir gradualmente ao longo dos anos. Os principais sinais incluem perda auditiva progressiva (inicialmente condutiva, podendo evoluir para mista ou sensorioneural), zumbido no ouvido presente em até 75% dos casos, paracusia de Willis (o paciente escuta melhor em ambientes ruidosos), tontura ou desequilíbrio quando o labirinto é comprometido, e sensação de plenitude auricular — ouvido “tampado” sem presença de líquido ou cerume.
Como o otorrinolaringologista diagnostica a otosclerose
O diagnóstico da otosclerose é essencialmente clínico e audiológico. Durante a consulta com o otorrinolaringologista, o médico realiza uma avaliação completa que inclui otoscopia, audiometria tonal e vocal, imitanciometria e, em casos selecionados, tomografia de alta resolução dos ossos temporais.
Audiometria e imitanciometria
A audiometria é o principal exame para quantificar e caracterizar a perda auditiva. Na otosclerose típica, observa-se gap aéreo-ósseo (diferença entre a via aérea e a via óssea) e entalhe de Carhart nas frequências de 2.000 Hz. Já a imitanciometria mostra curva timpanométrica tipo As (baixa complacência) com ausência dos reflexos estapedianos — achado altamente sugestivo da doença e fundamental para diferenciar a otosclerose de outras causas de perda auditiva condutiva.
Tomografia computadorizada de ossos temporais
A tomografia de alta resolução pode revelar focos de desmineralização ao redor da janela oval e da cóclea, confirmando o diagnóstico em casos duvidosos e auxiliando no planejamento cirúrgico.
Tratamento da otosclerose
O tratamento da otosclerose depende do grau de perda auditiva, do estágio da doença e das preferências do paciente. As principais opções são a cirurgia, o uso de aparelhos auditivos e, em casos selecionados, medicamentos para tentar estabilizar a progressão.
Estapedotomia: o tratamento cirúrgico de escolha
A estapedotomia é considerada o tratamento de escolha para a maioria dos pacientes com otosclerose. O procedimento consiste em criar uma pequena abertura na platina do estribo fixado e introduzir uma prótese (piston) que conecta a bigorna ao labirinto, restaurando a transmissão sonora. Os resultados são excelentes: cerca de 90% dos pacientes recuperam audição socialmente adequada, com baixo índice de complicações quando realizada por cirurgião experiente.
Aparelhos auditivos (AASI)
Para pacientes que não desejam ou não podem se submeter à cirurgia, os aparelhos de amplificação sonora individual (AASI) são uma alternativa eficaz. Eles amplificam os sons e melhoram significativamente a comunicação, embora não tratem a causa da doença.
Quando procurar um otorrinolaringologista?
Se você percebe que está pedindo para as pessoas repetirem o que dizem com frequência, escuta melhor em ambientes barulhentos, sente zumbido persistente no ouvido ou tem histórico familiar de surdez progressiva, é fundamental buscar avaliação com um otorrinolaringologista em São Paulo. O diagnóstico precoce permite intervenção antes que a perda auditiva se torne severa, aumentando as chances de sucesso do tratamento.
O Dr. Lucas Miranda é especialista em otorrinolaringologia e atende pacientes com suspeita de otosclerose em São Paulo. Entre em contato e agende sua consulta. Para mais informações, consulte a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF).
Dr. Lucas Miranda — CRM-SP 207609 · RQE 133.289
Otorrinolaringologista com Residência no Hospital CEMA, Fellowship em Rinologia e aprimoramento em Medicina do Sono. Atende no Itaim Bibi, em São Paulo.
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