
A VPPB ou “pedra no ouvido” causa episódios súbitos de tontura ao mudar de posição. Saiba como o otorrinolaringologista diagnostica e trata com manobras específicas.
A Posição Paroxística Benigna de Vértice (VPPB), popularmente conhecida como “pedra no ouvido”, é a causa mais comum de tontura de origem labiríntica. Trata-se de uma condição benigna, porém extremamente incapacitante, caracterizada por episódios intensos de vertigem desencadeados por mudanças de posição da cabeça. O otorrinolaringologista é o especialista indicado para o diagnóstico preciso e o tratamento eficaz desta condição.
O que é a VPPB (Vertigem Posicional Paroxística Benigna)?
A VPPB ocorre quando pequenos cristais de carbonato de cálcio — chamados otólitos ou otocônias — se desprendem de sua posição normal no utrículo (parte do labirinto) e migram para os canais semicirculares. Esses cristais, ao se moverem com a mudança de posição da cabeça, estimulam de forma inadequada as células sensoriais do labirinto, gerando a sensação de rotação intensa e súbita.
Os episódios de vertigem são breves (geralmente duram menos de 1 minuto), mas podem ser muito intensos, acompanhados de náuseas e vômitos. A condição é chamada “benigna” porque não representa risco de vida e responde bem ao tratamento.
Causas e fatores de risco da VPPB
Na maioria dos casos, a VPPB ocorre sem causa identificada (idiopática). No entanto, alguns fatores podem favorecê-la:
- Envelhecimento: a degeneração natural dos otólitos com o avançar da idade é o principal fator de risco.
- Traumas na cabeça: impactos que podem deslocar os otólitos do utrículo.
- Infecções do ouvido interno: como a labirintite viral.
- Osteoporose: estudos sugerem relação entre baixa densidade óssea e maior frequência dessa vertigem posicional.
- Períodos prolongados em decúbito dorsal: como após cirurgias ou internações.
Sintomas da Vertigem Posicional Paroxística Benigna
Os sintomas característicos da VPPB incluem: episódios súbitos e intensos de vertigem rotatória ao mudar de posição (ao virar na cama, ao levantar da cama, ao inclinar ou estender o pescoço), sensação de que o ambiente gira ou que o corpo está girando, náuseas e, em casos mais intensos, vômitos, nistagmo (movimentos involuntários dos olhos) perceptível ao otorrinolaringologista durante o exame, e desequilíbrio ou instabilidade ao caminhar.
Os episódios geralmente duram de segundos a menos de um minuto. A frequência pode variar: algumas pessoas têm crises diárias por semanas, enquanto em outras os episódios são esporádicos.
Como o otorrinolaringologista diagnostica a VPPB?
O diagnóstico da VPPB é essencialmente clínico. O otorrinolaringologista utiliza manobras posicionais específicas para identificar o canal semicircular afetado e confirmar o diagnóstico:
- Manobra de Dix-Hallpike: o teste padrão-ouro para confirmar esta condição no canal posterior (a forma mais comum). O médico observa se há nistagmo característico e vertigem ao posicionar o paciente.
- Roll test (manobra de McClure-Pagnini): usada para a forma do canal horizontal.
- Videonistagmografia (VNG): exame complementar que registra os movimentos oculares durante as manobras, auxiliando na localização do canal afetado.
Tratamento da VPPB com o otorrinolaringologista
A boa notícia é que a VPPB tem tratamento eficaz e na maioria dos casos os sintomas se resolvem com uma ou poucas sessões. O tratamento de escolha são as manobras de reposicionamento de partículas:
- Manobra de Epley: a mais utilizada para o canal posterior. Com movimentos sequenciais da cabeça, o otorrinolaringologista conduz os cristais deslocados de volta à sua posição original.
- Manobra de Semont: alternativa à manobra de Epley, também indicada para o canal posterior.
- Manobra de Barbecue (Lempert): indicada para o canal horizontal, com rotações laterais da cabeça.
Medicamentos anti-vertiginosos podem ser usados temporariamente para controlar as náuseas. A reabilitação vestibular com fisioterapia especializada pode ser recomendada em casos recorrentes ou quando há desequilíbrio residual.
VPPB tem cura?
Sim! A VPPB tem alta taxa de resolução com o tratamento adequado. Cerca de 80 a 90% dos pacientes melhoram após a realização das manobras de reposicionamento. No entanto, a condição pode recorrer — estudos indicam recorrência em cerca de 15 a 30% dos casos no primeiro ano. Por isso, é importante manter acompanhamento com o otorrinolaringologista e saber reconhecer os sintomas para buscar tratamento precoce em caso de recidiva.
Para mais informações sobre vertigem e doenças do labirinto, acesse os recursos da Biblioteca Virtual em Saúde.
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Dr. Lucas Miranda — CRM-SP 207609 · RQE 133.289
Otorrinolaringologista com Residência no Hospital CEMA, Fellowship em Rinologia e aprimoramento em Medicina do Sono. Atende no Itaim Bibi, em São Paulo.
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