Agendar consulta
Agendar consulta
Início/Blog/Ototoxicidade: medicamentos que prejudicam a…

Ototoxicidade: medicamentos que prejudicam a audição e o que fazer segundo o otorrinolaringologista

30 de junho de 2026 · 3 min de leitura · por Dr. Lucas Miranda

Ototoxicidade: medicamentos que prejudicam a audição e o que fazer segundo o otorrinolaringologista

A ototoxicidade é o dano ao sistema auditivo causado por medicamentos. Conheça os principais fármacos ototóxicos, os sintomas de alerta e como o otorrinolaringologista monitora e trata essa condição.

O que é ototoxicidade?

A ototoxicidade é o dano ao sistema auditivo e/ou vestibular provocado pelo uso de determinados medicamentos ou substâncias químicas. Esse fenômeno pode causar desde zumbido no ouvido e perda auditiva até distúrbios de equilíbrio severos, dependendo da classe do medicamento, dose, duração do tratamento e suscetibilidade individual do paciente.

O otorrinolaringologista é o especialista essencial no monitoramento auditivo de pacientes em uso de medicamentos ototóxicos e no manejo das sequelas auditivas causadas por esses fármacos.

Quais são os 6 principais medicamentos ototóxicos?

Diversas classes de medicamentos são associadas à ototoxicidade, sendo as mais importantes:

  • Aminoglicosídeos: antibióticos como gentamicina, amicacina, tobramicina e estreptomicina são as principais causas de ototoxicidade medicamentosa, causando dano permanente às células ciliadas da cóclea e do labirinto;
  • Cisplatina e carboplatina: agentes quimioterápicos utilizados no tratamento de cânceres sólidos, conhecidos por sua elevada ototoxicidade, causando perda auditiva progressiva, frequentemente irreversível;
  • Furosemida e ácido etacrínico: diuréticos de alça que, especialmente em altas doses ou quando combinados com aminoglicosídeos, podem causar perda auditiva aguda;
  • Salicilatos em altas doses: o ácido acetilsalicílico em doses elevadas pode causar zumbido e perda auditiva reversíveis, que geralmente regridem após a suspensão do medicamento;
  • Antimaláricos: cloroquina e quinina podem causar perda auditiva, geralmente reversível após suspensão;
  • Anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs): em uso prolongado e doses elevadas, podem causar zumbido e discreta perda auditiva.

Quais são os sinais e sintomas de ototoxicidade?

Os sintomas de ototoxicidade variam conforme a estrutura afetada (cóclea ou labirinto) e podem incluir: zumbido (tinnitus), frequentemente o primeiro sinal de dano coclear, podendo ser unilateral ou bilateral; perda auditiva, que inicialmente afeta as frequências agudas; sensação de plenitude auricular; vertigem e desequilíbrio, quando há dano vestibular; e náuseas e vômitos associados ao comprometimento vestibular agudo.

É importante ressaltar que a ototoxicidade coclear frequentemente começa nas frequências mais altas do espectro auditivo, fora da faixa da conversação habitual, e por isso muitas vezes não é percebida pelo paciente em estágios iniciais. Por isso, o acompanhamento periódico com o otorrinolaringologista é fundamental.

Como o otorrinolaringologista monitora a ototoxicidade?

O monitoramento auditivo é fundamental para pacientes em uso de medicamentos ototóxicos. O otorrinolaringologista realiza avaliação auditiva basal antes do início do tratamento e acompanhamento periódico por meio de audiometria tonal, avaliação das limiares auditivos em múltiplas frequências, incluindo as frequências estendidas acima de 8.000 Hz; emissões otoacústicas, exame rápido e sensível para detecção precoce de dano coclear; impedanciometria; e avaliação vestibular para pacientes com sintomas de vertigem ou desequilíbrio.

Segundo as diretrizes internacionais de oncologia, todos os pacientes em tratamento com cisplatina devem ter monitoramento auditivo regular durante e após o tratamento. A Associação Brasileira de Otorrinolaringologia recomenda protocolo semelhante para uso de aminoglicosídeos em UTIs.

Como é feito o tratamento da ototoxicidade?

O manejo da ototoxicidade depende do tipo de medicamento, da reversibilidade do dano e do grau de comprometimento auditivo. As principais estratégias incluem a suspensão ou ajuste do medicamento causador (sempre que clinicamente possível, em discussão com o médico responsável); reabilitação auditiva com uso de aparelhos auditivos ou implante coclear nos casos de perda permanente significativa; reabilitação vestibular com fisioterapia específica; e tratamento do zumbido com terapias de habituação quando necessário.

Quando consultar o otorrinolaringologista sobre ototoxicidade?

Informe seu otorrinolaringologista se você está em uso ou irá iniciar tratamento com antibióticos aminoglicosídeos, quimioterapia com derivados da platina ou diuréticos de alça em altas doses. Qualquer surgimento ou piora de zumbido, perda auditiva ou tontura durante o uso desses medicamentos deve ser comunicado imediatamente ao médico.

O Dr. Lucas Miranda, otorrinolaringologista em São Paulo, oferece monitoramento auditivo especializado e manejo completo das sequelas de ototoxicidade. Agende sua avaliação e proteja sua audição.

Sobre o autor

Dr. Lucas Miranda — CRM-SP 207609 · RQE 133.289

Otorrinolaringologista com Residência no Hospital CEMA, Fellowship em Rinologia e aprimoramento em Medicina do Sono. Atende no Itaim Bibi, em São Paulo.

Agendamento online

Tem esse sintoma? Não adie a avaliação.

A intervenção precoce evita anos de má qualidade de sono e respiração ineficaz. Agende sua consulta com o Dr. Lucas Miranda.