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Refluxo Laringofaríngeo: sintomas silenciosos e tratamento pelo otorrinolaringologista

22 de maio de 2026 · 4 min de leitura · por Dr. Lucas Miranda

Refluxo Laringofaríngeo: sintomas silenciosos e tratamento pelo otorrinolaringologista

O refluxo laringofaríngeo é um tipo de refluxo silencioso que afeta a laringe e a faringe, causando rouquidão, sensação de caroço na garganta e tosse crônica. Saiba como o otorrinolaringologista diagnostica e trata.

O refluxo laringofaríngeo (RLF) é uma condição em que o conteúdo gástrico — ácido, enzimas digestivas e bile — retorna pelo esôfago e alcança a laringe, faringe e até as vias aéreas superiores. Diferente do refluxo gastroesofágico clássico, o RLF raramente causa azia ou queimação, motivo pelo qual é chamado de “refluxo silencioso”. Seus sintomas, predominantemente laríngeos e faríngeos, frequentemente levam o paciente a buscar primeiro o otorrinolaringologista — que tem papel central no diagnóstico e no manejo dessa condição.

Estima-se que o refluxo laringofaríngeo seja responsável por até 10% das consultas em otorrinolaringologia. A mucosa da laringe é muito mais sensível ao ácido do que a mucosa esofágica, razão pela qual pequenas quantidades de refluxo já são suficientes para causar irritação e inflamação significativas.

Causas e mecanismos do refluxo laringofaríngeo

O RLF ocorre quando os dois esfíncteres que protegem o esôfago — o esfíncter esofágico inferior (na junção com o estômago) e o esfíncter esofágico superior (na junção com a faringe) — funcionam de forma inadequada, permitindo que o conteúdo gástrico chegue à laringe. Fatores que contribuem para esse disfuncionamento incluem hérnia hiatal, obesidade, alimentação inadequada (alimentos gordurosos, café, álcool, chocolate, cítricos), tabagismo, estresse e hábitos posturais.

Sintomas do refluxo laringofaríngeo

Os sintomas do RLF são variados e frequentemente confundidos com outras condições. Os mais característicos são:

Rouquidão crônica

A rouquidão é um dos sintomas mais comuns do RLF. O ácido gástrico irrita as pregas vocais, causando edema e alterações na qualidade da voz. É tipicamente pior pela manhã, logo ao acordar, e melhora ao longo do dia conforme o paciente se alimenta e adota posição vertical.

Sensação de globo faríngeo

A sensação de “caroço na garganta” (globo faríngeo) é uma queixa extremamente comum no RLF. O paciente sente que algo está preso na garganta, sem conseguir identificar o que é. Essa sensação piora ao engolir saliva e melhora durante a ingestão de alimentos, distinguindo-se das causas estruturais.

Tosse crônica e pigarro frequente

A tosse crônica sem causa respiratória aparente e o pigarro constante são sintomas muito associados ao RLF. O pigarro é uma resposta reflexa à irritação laríngea e, paradoxalmente, agrava a inflamação ao traumatizar as pregas vocais a cada episódio.

Outros sintomas

Dificuldade para engolir (disfagia), secreção pós-nasal, laringoespasmo, otite média de repetição em crianças, mau hálito (halitose) e sensação de garganta seca completam o espectro sintomático do RLF.

Como o otorrinolaringologista diagnostica o refluxo laringofaríngeo

O diagnóstico do RLF é clínico e endoscópico. O otorrinolaringologista utiliza a laringoscopia ou videolaringoscopia para visualizar diretamente as pregas vocais e as estruturas laríngeas. Sinais típicos de RLF ao exame incluem eritema (vermelhidão) e edema das aritenoides e região posterior da laringe, espessamento da comissura posterior, leucoplasia laríngea e pseudossulco nas pregas vocais.

O índice RSI (Reflux Symptom Index) é um questionário padronizado com 9 perguntas que auxilia na triagem e no monitoramento dos sintomas. Scores acima de 13 são sugestivos de RLF. Em casos selecionados, pode-se indicar pHmetria de 24 horas com sensor proximal ou impedanciometria para confirmação diagnóstica.

Tratamento do refluxo laringofaríngeo

O tratamento do RLF combina mudanças no estilo de vida com medicamentos e, em casos selecionados, intervenção cirúrgica.

Mudanças no estilo de vida e dieta

As medidas comportamentais são a base do tratamento e incluem: elevar a cabeceira da cama 15 a 20 cm, evitar deitar-se nas 3 horas após as refeições, reduzir o consumo de alimentos ácidos, gordurosos, picantes, café, álcool e chocolate, perder peso quando há sobrepeso ou obesidade, parar de fumar, comer em porções menores e evitar roupas apertadas na região abdominal.

Inibidores da bomba de prótons (IBP)

Os inibidores da bomba de prótons (IBPs) são os medicamentos mais utilizados no tratamento do RLF. Diferentemente do refluxo gastroesofágico, o RLF geralmente exige doses mais altas e por períodos mais prolongados — comumente duas vezes ao dia por pelo menos 3 a 6 meses. A resposta ao tratamento costuma ser mais lenta, e a melhora dos sintomas pode levar semanas a meses.

Reabilitação vocal

Pacientes com rouquidão persistente ou disfonia associada ao RLF frequentemente se beneficiam de fonoterapia, que reduz o pigarro traumatizante, melhora os hábitos vocais e complementa o tratamento farmacológico.

Quando procurar um otorrinolaringologista?

Se você apresenta rouquidão há mais de duas semanas, sensação persistente de caroço na garganta, tosse crônica sem causa aparente ou pigarro constante, procure avaliação com um otorrinolaringologista em São Paulo. O diagnóstico precoce do refluxo laringofaríngeo evita complicações como laringite crônica, granuloma laríngeo e até lesões das pregas vocais.

O Dr. Lucas Miranda realiza videolaringoscopia e oferece tratamento completo do refluxo laringofaríngeo em São Paulo. Agende sua consulta. Para mais informações sobre o refluxo laringofaríngeo, consulte a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia.

Sobre o autor

Dr. Lucas Miranda — CRM-SP 207609 · RQE 133.289

Otorrinolaringologista com Residência no Hospital CEMA, Fellowship em Rinologia e aprimoramento em Medicina do Sono. Atende no Itaim Bibi, em São Paulo.

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