
A paralisia facial afeta o nervo responsável pelos movimentos da face, causando assimetria, dificuldade de fechar o olho e queda da comissura labial. Saiba como o otorrinolaringologista diagnostica e trata essa condição urgente.
A paralisia facial é uma condição que afeta o nervo facial (VII par craniano), responsável pelo controle dos músculos de expressão da face. Quando esse nervo é comprometido, o paciente desenvolve fraqueza ou paralisia unilateral da musculatura facial, resultando em assimetria do rosto com impossibilidade de fechar o olho, desvio da comissura labial e dificuldade para sorrir, franzir a testa ou assobiar. Por sua estreita relação com o osso temporal e o ouvido médio, a paralisia facial tem o otorrinolaringologista como um dos especialistas centrais no diagnóstico e tratamento.
A paralisia facial pode ser periférica (comprometimento do nervo facial fora do tronco encefálico) ou central (lesão no sistema nervoso central, como acidente vascular encefálico). A distinção é crucial: na paralisia periférica, toda a hemiface é afetada, incluindo a testa; na paralisia central, a testa é poupada. O otorrinolaringologista atua principalmente nas formas periféricas.
Causas da paralisia facial periférica
Paralisia de Bell
A paralisia de Bell é a causa mais comum de paralisia facial periférica, responsável por cerca de 70% dos casos. Trata-se de uma paralisia idiopática — sem causa identificada — associada à reativação do vírus herpes simples tipo 1 (HSV-1) no gânglio geniculado do nervo facial. Tem início súbito, geralmente ao acordar, e afeta pessoas de qualquer idade, com pico entre 15 e 45 anos. A maioria dos pacientes (cerca de 70%) se recupera completamente sem tratamento, mas o tratamento precoce melhora significativamente as chances de recuperação total.
Síndrome de Ramsay Hunt
A síndrome de Ramsay Hunt resulta da reativação do vírus varicela-zóster (VZV) no gânglio geniculado. Além da paralisia facial, caracteriza-se pela presença de vesículas herpéticas no pavilhão auricular, no canal auditivo externo e/ou na mucosa oral, acompanhadas de dor auricular intensa e, frequentemente, perda auditiva e vertigem. O prognóstico de recuperação é pior que na paralisia de Bell, com apenas 50% a 70% dos pacientes recuperando a função completa.
Outras causas
Além das causas virais, a paralisia facial pode ser provocada por: otite média aguda ou crônica com extensão ao canal do nervo facial, colesteatoma com erosão óssea do nervo, traumatismos cranianos e fraturas do osso temporal, tumores do nervo facial (schwannoma), do ouvido médio ou da parótida, doença de Lyme (neuroborreliose), sarcoidose, e complicações de cirurgias otológicas ou de parótida.
Sintomas da paralisia facial
Os sintomas da paralisia facial periférica são facilmente reconhecíveis e incluem: incapacidade ou dificuldade de fechar o olho ipsilateral (podendo causar lesões corneanas por exposição), queda da comissura labial com desvio da boca para o lado saudável, impossibilidade de franzir a testa ou levantar a sobrancelha, dificuldade para sorrir, assobiar ou inflar as bochechas, sensação de dormência ou formigamento na face (sem perda sensitiva real), dor retroauricular ou na região mastoide precedendo a paralisia, e alteração do paladar nos dois terços anteriores da língua (por comprometimento da corda do tímpano).
Diagnóstico pelo otorrinolaringologista
O diagnóstico da paralisia facial é essencialmente clínico. O otorrinolaringologista realiza avaliação detalhada da função motora facial por meio da escala de House-Brackmann, exame otoscópico para identificar causas otológicas (otite, colesteatoma, vesículas herpéticas), e exames complementares para determinar a etiologia e o prognóstico.
Eletroneurografia (ENoG) e eletromiografia (EMG)
A eletroneurografia avalia a degeneração das fibras nervosas do nervo facial e tem valor prognóstico importante nos primeiros dias após o início da paralisia. Uma degeneração superior a 90% nas primeiras duas semanas indica mau prognóstico para recuperação espontânea. A eletromiografia detecta potenciais de reinervaçãoe auxilia no acompanhamento da recuperação.
Exames de imagem
A tomografia computadorizada dos ossos temporais é indicada quando se suspeita de causa otológica ou traumática. A ressonância magnética é preferida para avaliar o trajeto do nervo facial, identificar tumores e caracterizar lesões inflamatórias.
Tratamento da paralisia facial
O tratamento deve ser iniciado o mais rapidamente possível para maximizar as chances de recuperação completa.
Tratamento medicamentoso
Para a paralisia de Bell e a síndrome de Ramsay Hunt, o tratamento de escolha combina corticosteroides orais (prednisona) iniciados em até 72 horas do início dos sintomas, com antivirais (aciclovir ou valaciclovir). Estudos mostram que o uso de corticosteroides aumenta significativamente a taxa de recuperação completa. Na síndrome de Ramsay Hunt, os antivirais têm papel ainda mais relevante.
Cuidados oculares
A proteção ocular é prioritária em todos os casos de paralisia facial com lagoftalmo (incapacidade de fechar o olho). O uso de lágrimas artificiais durante o dia, pomada lubrificante à noite e, em casos graves, câmara úmida ou oclusão ocular previnem complicações corneanas sérias.
Fisioterapia e reabilitação facial
A fisioterapia facial com exercícios específicos, massagem e biofeedback auxilia na recuperação da função motora e previene sequelas como sincinesias (movimentos involuntários associados). A reabilitação deve ser iniciada precocemente e mantida durante todo o processo de recuperação.
Tratamento cirúrgico
A descompressão cirúrgica do nervo facial é indicada em casos selecionados de paralisia de Bell com degeneração elétrica grave (ENoG > 90%) e ausência de potenciais motores voluntários à eletromiografia. Nas paralisias causadas por colesteatoma, trauma ou tumores, o tratamento cirúrgico da lesão causal é fundamental. Para sequelas permanentes de longa data, existem procedimentos de reabilitação facial como anastomose hipoglosso-facial, miodinâmicas e injeções de toxina botulínica para sincinesias.
Quando procurar um otorrinolaringologista?
A paralisia facial é uma urgência médica. Ao notar assimetria facial de início súbito, dificuldade para fechar o olho ou desvio da boca, procure atendimento imediato. Quanto mais rapidamente o tratamento for iniciado, maiores as chances de recuperação completa. O otorrinolaringologista é o especialista que investiga a causa, indica o tratamento adequado e acompanha a evolução da paralisia facial periférica.
O Dr. Lucas Miranda é otorrinolaringologista em São Paulo e realiza avaliação e tratamento especializado de paralisia facial. Entre em contato e agende sua consulta com urgência. Para mais informações sobre paralisia facial, consulte a ABORL-CCF.
Dr. Lucas Miranda — CRM-SP 207609 · RQE 133.289
Otorrinolaringologista com Residência no Hospital CEMA, Fellowship em Rinologia e aprimoramento em Medicina do Sono. Atende no Itaim Bibi, em São Paulo.
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