
A perda de olfato (anosmia) pode ser causada por rinite, sinusite, pólipos nasais, viroses e até alterações neurológicas. Saiba quando ela é sinal de alerta, como é feito o diagnóstico e quais tratamentos ajudam a recuperar o olfato.
A perda de olfato, chamada tecnicamente de anosmia (perda total) ou hiposmia (redução parcial), é uma queixa cada vez mais frequente nos consultórios de otorrinolaringologia. Além de comprometer o prazer de sentir aromas e sabores, a perda de olfato afeta a segurança — dificultando perceber vazamento de gás, fumaça ou alimentos estragados — e pode impactar o apetite, o humor e a qualidade de vida.
Neste artigo, o Dr. Lucas Miranda, otorrinolaringologista em São Paulo, explica as principais causas da perda de olfato, como é feito o diagnóstico e quais tratamentos ajudam a recuperar esse sentido tão importante.
Como funciona o olfato?
As moléculas de odor entram pelo nariz e estimulam o epitélio olfatório, uma região especializada localizada no teto das fossas nasais. De lá, os estímulos seguem pelo nervo olfatório até o cérebro, onde são interpretados como cheiros.
Qualquer obstáculo nesse caminho — obstrução nasal, inflamação da mucosa, lesão dos neurônios olfatórios ou alterações neurológicas — pode provocar perda de olfato temporária ou duradoura.
Principais causas da perda de olfato
As causas da perda de olfato podem ser divididas em dois grandes grupos: obstrutivas (o ar não chega à região olfatória) e neurossensoriais (as células ou nervos do olfato são afetados).
Causas obstrutivas e inflamatórias
- Rinite alérgica e rinites crônicas, com edema da mucosa nasal;
- Sinusite crônica, com ou sem pólipos nasais;
- Pólipos nasais, que bloqueiam fisicamente a passagem do ar;
- Desvio de septo acentuado e hipertrofia de cornetos;
- Tumores nasais benignos ou malignos (mais raros).
Causas neurossensoriais
- Infecções virais das vias aéreas, incluindo gripes, resfriados e COVID-19;
- Traumatismo craniano, que pode lesar o nervo olfatório;
- Envelhecimento natural (presbiosmia);
- Doenças neurológicas, como Parkinson e Alzheimer, que podem ter a perda de olfato como sinal precoce;
- Exposição a produtos químicos e alguns medicamentos;
- Deficiências nutricionais, como a de zinco.
Perda de olfato e paladar: qual a relação?
Grande parte do que chamamos de “sabor” depende do olfato. Por isso, quem tem perda de olfato costuma relatar também que a comida ficou “sem gosto”, ainda que a língua continue percebendo o doce, o salgado, o azedo e o amargo. Essa combinação reduz o apetite e pode levar a alterações de peso e até sintomas depressivos.
Quando a perda de olfato é um sinal de alerta?
Procure um otorrinolaringologista com prontidão se a perda de olfato:
- Dura mais de duas semanas sem melhora;
- Surge sem causa aparente, fora de um quadro gripal;
- Vem acompanhada de sangramento nasal, dor facial ou obstrução de um lado só do nariz;
- Aparece após traumatismo na cabeça;
- É acompanhada de sintomas neurológicos, como alterações de memória.
Diagnóstico da perda de olfato
A investigação começa com uma consulta detalhada e o exame das fossas nasais. A nasofibrolaringoscopia permite visualizar diretamente o interior do nariz, identificando pólipos, secreções, desvios e outras alterações estruturais.
Em casos selecionados, o médico pode solicitar tomografia computadorizada dos seios da face, ressonância magnética e testes específicos de identificação de odores, que quantificam o grau da perda de olfato.
Tratamento: como recuperar o olfato
O tratamento depende diretamente da causa identificada:
Tratamento das causas obstrutivas
Quando a perda de olfato decorre de rinite, sinusite ou pólipos, o tratamento clínico com sprays nasais de corticoide, lavagem nasal com soro fisiológico e controle da alergia costuma trazer excelente resposta. Nos casos refratários, a cirurgia endoscópica nasal desobstrui as fossas nasais e restaura o fluxo de ar até a região olfatória.
Treinamento olfatório
Para as perdas pós-virais e neurossensoriais, o treinamento olfatório é hoje a estratégia com melhor evidência científica. Consiste em cheirar, de forma concentrada e repetida, essências como rosa, limão, eucalipto e cravo, duas vezes ao dia, por pelo menos 12 semanas. O estímulo repetido favorece a regeneração das vias olfatórias.
Outras medidas
Suspensão de medicamentos ototóxicos ao olfato quando possível, correção de deficiências nutricionais e acompanhamento multidisciplinar em casos neurológicos completam o arsenal terapêutico contra a perda de olfato.
Convivendo com a redução do olfato: cuidados de segurança
Enquanto a recuperação acontece, alguns cuidados práticos tornam o dia a dia mais seguro para quem convive com anosmia ou hiposmia:
- Instale detectores de fumaça e de gás em casa, especialmente na cozinha;
- Verifique sempre a validade dos alimentos e observe a aparência antes de consumir;
- Prefira fogões com acendimento automático e mantenha o ambiente ventilado ao cozinhar;
- Peça a familiares que avaliem odores suspeitos no ambiente;
- Capriche na apresentação, na temperatura e na textura dos pratos para manter o prazer de comer.
Esses ajustes simples reduzem riscos domésticos e ajudam a preservar o apetite e o bem-estar emocional durante o tratamento.
Olfato e qualidade de vida: por que não ignorar o sintoma
Estudos mostram que pessoas com alterações do olfato apresentam maior frequência de isolamento social, alterações de humor e dificuldades nutricionais. O cheiro está ligado à memória e às emoções: aromas de comida, perfumes e ambientes fazem parte da nossa identidade afetiva.
Além disso, o sintoma pode ser a primeira manifestação de doenças que merecem investigação, como a rinossinusite crônica com pólipos e, em situações raras, tumores da região nasal. Ignorar o problema por meses adia diagnósticos importantes e reduz as chances de recuperação completa do sentido.
Vale lembrar que o envelhecimento também reduz gradualmente a sensibilidade olfativa. Em idosos, essa alteração merece atenção redobrada da família, pois aumenta o risco de acidentes domésticos e de perda de peso por falta de apetite.
Perguntas frequentes sobre perda de olfato
A perda de olfato após virose tem cura?
Na maioria dos casos, sim. Grande parte dos pacientes recupera o olfato espontaneamente em semanas ou meses, e o treinamento olfatório acelera essa recuperação.
Perda de olfato pode ser permanente?
Pode, principalmente após traumas graves ou lesões extensas do epitélio olfatório. Por isso, quanto mais cedo a causa for identificada e tratada, maiores as chances de recuperação.
Existe remédio para perda de olfato?
Não há um medicamento único. O tratamento é direcionado à causa: corticoides para inflamação, cirurgia para obstrução e treinamento olfatório para perdas neurossensoriais.
Agende sua avaliação em São Paulo
Se você notou perda de olfato persistente, não espere o problema se resolver sozinho. Segundo a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial, a avaliação precoce aumenta significativamente as chances de recuperação. Agende uma consulta com o Dr. Lucas Miranda e recupere a qualidade de vida que os aromas proporcionam.
Dr. Lucas Miranda — CRM-SP 207609 · RQE 133.289
Otorrinolaringologista com Residência no Hospital CEMA, Fellowship em Rinologia e aprimoramento em Medicina do Sono. Atende no Itaim Bibi, em São Paulo.
Outros artigos

Cisto nos Seios da Face: tipos, sintomas e tratamento pelo otorrinolaringologista
O cisto nos seios da face é uma formação benigna comum. Saiba quando causa sintomas, como o otorrinolaringologista diagnostica e quando o tratamento c…
Ler artigo
Tonturas e Desequilíbrio: como o otorrinolaringologista avalia e trata os distúrbios vestibulares
Os distúrbios vestibulares causam tonturas, desequilíbrio e vertigem. Saiba como o otorrinolaringologista realiza a avaliação vestibular e quais são a…
Ler artigo
Ototoxicidade: medicamentos que prejudicam a audição e o que fazer segundo o otorrinolaringologista
A ototoxicidade é o dano ao sistema auditivo causado por medicamentos. Conheça os principais fármacos ototóxicos, os sintomas de alerta e como o otorr…
Ler artigoTem esse sintoma? Não adie a avaliação.
A intervenção precoce evita anos de má qualidade de sono e respiração ineficaz. Agende sua consulta com o Dr. Lucas Miranda.