
O barotrauma do ouvido é a lesão causada por mudanças bruscas de pressão em voos, mergulhos e serras. Conheça os sintomas, os riscos como a perfuração do tímpano, o tratamento e as manobras que previnem a dor de ouvido no avião.
O barotrauma do ouvido é a lesão causada pela diferença brusca de pressão entre o ouvido médio e o ambiente. Quem já sentiu dor de ouvido forte durante a decolagem ou o pouso de um avião, ao mergulhar ou ao descer uma serra conhece bem a sensação. Na maioria das vezes o desconforto é passageiro, mas o barotrauma do ouvido pode causar lesões importantes, como perfuração do tímpano e até perda auditiva.
Neste artigo, o Dr. Lucas Miranda, otorrinolaringologista em São Paulo, explica por que o barotrauma do ouvido acontece, quais são os sintomas, como tratar e o que fazer para prevenir o problema em voos e mergulhos.
O que é o barotrauma do ouvido?
O ouvido médio é uma cavidade cheia de ar, separada do ambiente externo pela membrana timpânica. A pressão dentro dessa cavidade é equalizada pela tuba auditiva (trompa de Eustáquio), um canal que a conecta à parte de trás do nariz.
Quando a pressão externa muda rapidamente — como em viagens de avião, mergulho, câmaras hiperbáricas ou até elevadores muito rápidos — a tuba auditiva precisa abrir para igualar as pressões. Se ela não funciona adequadamente, cria-se um “vácuo” no ouvido médio que traciona o tímpano, causando o barotrauma do ouvido.
Principais situações de risco
- Viagens de avião, principalmente na descida;
- Mergulho com cilindro (scuba) e mergulho livre;
- Deslocamentos por estradas de serra e altitudes elevadas;
- Explosões e ruídos de forte impacto;
- Tratamento em câmara hiperbárica.
Pessoas gripadas, com rinite alérgica descontrolada ou sinusite têm maior risco, pois a inflamação nasal compromete o funcionamento da tuba auditiva.
Sintomas do barotrauma do ouvido
Os sintomas variam conforme a intensidade da lesão:
- Sensação de ouvido tampado ou pressão no ouvido;
- Dor de ouvido, que pode ser intensa;
- Diminuição da audição;
- Zumbido no ouvido;
- Tontura ou vertigem;
- Sangramento ou saída de líquido do ouvido nos casos graves.
Se após um voo ou mergulho a audição não voltar ao normal em até 48 horas, ou se houver dor forte, sangramento ou tontura, procure imediatamente um otorrinolaringologista.
Complicações possíveis
Nos quadros mais intensos, o barotrauma do ouvido pode evoluir com acúmulo de líquido ou sangue no ouvido médio (semelhante à otite serosa), perfuração do tímpano e, mais raramente, fístula perilinfática — uma comunicação anormal com o ouvido interno que provoca vertigem e perda auditiva neurossensorial, exigindo tratamento de urgência.
Diagnóstico
O diagnóstico do barotrauma do ouvido é feito pelo otorrinolaringologista por meio da história clínica e da otoscopia, que avalia o tímpano em busca de retração, líquido, hemorragia ou perfuração. Exames complementares como a audiometria e a impedanciometria ajudam a medir o impacto na audição e o funcionamento do ouvido médio.
Tratamento do barotrauma do ouvido
Casos leves
A maioria dos episódios melhora espontaneamente em horas ou poucos dias. Analgésicos, descongestionantes por curto período, lavagem nasal e manobras de equalização (como a manobra de Valsalva suave) ajudam a acelerar a recuperação do barotrauma do ouvido.
Casos moderados a graves
Quando há líquido persistente no ouvido médio, o médico pode indicar medicações específicas e acompanhamento seriado. Perfurações timpânicas pequenas costumam cicatrizar sozinhas; as maiores podem necessitar de cirurgia (timpanoplastia). A suspeita de fístula perilinfática exige repouso e, em alguns casos, exploração cirúrgica.
Como prevenir o barotrauma do ouvido em voos e mergulhos
- Mastigue chiclete, boceje ou engula saliva durante decolagem e pouso;
- Realize a manobra de Valsalva de forma suave: tampe o nariz e sopre delicadamente;
- Evite dormir durante a descida do avião;
- Em bebês, ofereça mamadeira ou chupeta na decolagem e no pouso;
- Evite voar ou mergulhar gripado ou em crise de rinite;
- No mergulho, desça e suba lentamente, equalizando com frequência;
- Trate as doenças nasais crônicas com o otorrinolaringologista.
Barotrauma em crianças: atenção redobrada
As crianças são especialmente vulneráveis, pois a tuba auditiva infantil é mais curta, mais horizontal e funciona de forma menos eficiente do que a dos adultos. Além disso, quadros de adenoide aumentada, resfriados frequentes e alergias respiratórias — muito comuns na infância — dificultam ainda mais a equalização das pressões.
Durante voos, ofereça líquidos ou chupeta ao bebê na decolagem e no pouso, mantenha o nariz da criança limpo com soro fisiológico e evite viajar durante crises gripais intensas. Choro persistente, irritabilidade e mãos no ouvido após o voo são sinais de que a criança deve ser examinada.
Barotrauma do ouvido ou otite? Como diferenciar
A dor de ouvido após um voo nem sempre significa infecção. No barotrauma, a dor surge imediatamente com a mudança de pressão e tende a melhorar de forma gradual, sem febre. Já na otite média aguda, a dor costuma aparecer horas ou dias depois, frequentemente acompanhada de febre, secreção e piora progressiva.
Na dúvida, o exame otoscópico define o diagnóstico com precisão e evita o uso desnecessário de antibióticos. Por isso, vale a pena procurar o especialista em vez de se automedicar.
Quando é seguro voltar a voar ou mergulhar?
- Após um episódio leve, sem perfuração: normalmente alguns dias, quando o ouvido estiver sem sintomas;
- Após perfuração do tímpano: somente depois da cicatrização completa, confirmada pelo médico;
- Após cirurgia otológica: conforme liberação individualizada do cirurgião;
- Mergulhadores devem realizar avaliação otorrinolaringológica antes de retomar a atividade.
Perguntas frequentes sobre barotrauma do ouvido
Barotrauma do ouvido tem cura?
Sim. A grande maioria dos casos se resolve completamente com medidas simples. Mesmo os quadros com perfuração do tímpano costumam ter boa evolução com tratamento adequado.
Quanto tempo dura o ouvido tampado após o voo?
Normalmente de algumas horas a dois dias. Persistindo além disso, é recomendável avaliação com otorrinolaringologista para descartar líquido no ouvido médio ou outras lesões.
Quem tem barotrauma pode voar de novo?
Pode, após a recuperação completa e com as medidas preventivas corretas. Em casos recorrentes, o médico pode investigar a função da tuba auditiva e indicar tratamentos específicos.
Agende sua avaliação em São Paulo
Sentiu dor, pressão ou perda de audição após voo, mergulho ou mudança de altitude? Agende uma consulta com o Dr. Lucas Miranda. Conforme orienta a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial, o barotrauma do ouvido deve ser avaliado precocemente para evitar complicações e preservar a audição.
Dr. Lucas Miranda — CRM-SP 207609 · RQE 133.289
Otorrinolaringologista com Residência no Hospital CEMA, Fellowship em Rinologia e aprimoramento em Medicina do Sono. Atende no Itaim Bibi, em São Paulo.
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